Cidadania sentir a presença de Deus

" O que me mantem vivo é nunca ter bebido água ardente... Meu pai viveu 112 anos (risos) tô chegando perto... Ele viveu muito bem, sempre com disposição e morreu em paz."

Seu Marcirio reside em Curitiba/PR, sócio N. Monte Alegre.
Atualmente diz que lembra pouco de seu tempo de criança. O que guardou  de sua mãe “nunca beber água ardente!”( cachaça). Isto é um dos segredos de sua lucidez: não ter vícios.

Cidadania sentir a presença de Deus

9ª Região Reflexão com a temática da vez: cidadania.

Quando resolvi colaborar com esse espaço virtual para mim tão significativo também ao autoconhecimento, me perguntei algumas vezes, o que ligaria histórias de vida com crianças e jovens? Quem ensinaria ou ensina as pessoas a origem da espiritualidade, ritualidade e religião? Em especial como ensinar a sentir a presença de Deus nos dias atuais aos mais jovens? Sim, em  sessões. Aos sócios do centro é um caminho.  Mas há muitas pessoas que ignoram tal pratica. E,  ainda precisamos enquanto espiritualistas expandir nossa sensibilidade, perceber o mundo que lateja dentro e fora de nós. Percebemos que  estamos interligados uns com os outros. Pois participamos de um plano evolutivo que desde o principio foi traçado.

Busco sempre que posso acolher na voz, no olhar, no gesto, na pele molinha de nossos idosos a  presença que  me dá mais inteireza.  O ancião apresenta-me memórias e em cada memória muitas histórias nascem. Por diferentes motivos  sinto necessidade de olhar a “menina dos seus olhos”, e, perceber que minhas inquietações não são únicas. Sigo o caminho espiritual abrindo novos ângulos, retirando as cortinas  que ofuscam a luz do sol. Mas ainda é pouco. Além do meu quintal, da minha casa, de minha irmandade o que  de fato demonstra tenho habilidades cidadanizadas?  E muitas vezes a sombra alimenta a visão de que o mundo é pequeno. E  tão pequeno é o mundo que não consigo modificar. Pois minhas ações são diariamente burocratizadas. E não acessadas pelo coração.

Nessa vida há tantas motivos para sentirmos a presença de Deus. Na pobreza, na vida os excluídos, na presença de filhos sem pai, viúvas, idosos esquecidos, e jovens envelhecidos. Podemos despertar  as praticas espiritualizadas seja em ações de cidadania. Estas podem estar numa canção, numa história, num abraço, num acolhimento. Tais habilidades elevam o grau social, cultural e espiritual.  Vivemos uma religião que acredita que a palavra traz tudo para nós.  Boas palavras  podem orientar, curar, divertir, unir.  E com experiencias de vidam narradas por pessoas mais antigas que não “celebridades” televisivas, podemos rever nosso universo.  Cidadania é perceber que podemos dar uma volta pelo Centro da vida de nosso próximo.

 

Chapeu e pé

Vez e outra já silenciei turbilhões de pensamentos que saltavam boca da fora. Permiti que a voz suave,doce, mansa de idosos me trouxesse respostas acalmadoras. Assim mergulhei meu coração num rio tranquilo. Quis molhar meus sentidos e renascer com outra visão. Despertar minha pele, músculos, ossos, corrente sanguínea, audição… Para as vidas que andam junto comigo nesse plano.  Benditas palavras que conduz a vida. Confesso tive momentos onde  recebi respostas  pacificadoras sobre questões com grupos, ordem, ritmos, hierarquias, tais respostas vieram por meio de sinais.

No decorrer da temática da vez  meus ouvidos se alargaram diante das escutas com ancião de diferentes regiões do Brasil.  E como não ser cativada por sorrisos largos, olhares brilhantes, anciões que  são faróis? Percebi que há tantas lições que banham meu ser.  Mas que existe outras tantas lições fora do meu eu que anda preciso aprender…

Habilidades de cidadania e com espiritualidade não vem vestidas de  alegorias. Estão em pessoas que pode acolher com sorrisos, abrir o oratório para histórias, distribuir palavras que fortaleça a condição de bem estar em pessoas  que estão em  situação de risco. Um gesto de acolhimento não se explica. Se faz.  Pode representar o universo de conviver. Um gesto espiritualizado planta o bem no coração do tempo.

Tive tempo de voltar meu olhar e o coração para revisitar minhas raízes. Revi meus sentimentos, minhas memórias, meus pais, minha história… Pude perceber que dentro de  mim há sinais da presença de Deus.  Essa linguagem tão sensível apresenta-se  como chave  que abre um baú. Baú que guarda memórias. Memórias que  moram em nosso espirito. Espirito que  faz histórias evolutivas cada vez que  vence o mal.

Enquanto espiritualistas podemos aceitar a  realidade de que  nessa vida recebemos oportunidades.  Podemos ser mais humano diante da história do outro. Com o outro podemos ser mais forte. Amar ao próximo é um ensino antigo e  sagrado que ainda é realizado de forma superficial.

Sinto que o Rio da sensibilidade permite reencontros.  Na margem, no meio, ou na barranca há linguagens, sinais que tocam o coração.  Talvez aquele próximo que tem algo a  nos dizer pode auxiliar minha evolução. Quem sabe aquele excluído num asilo, no orfanato  já foi nosso velho conhecido?

Respiro a vida e seus suspiros.  Às vezes penso vou escrever uma placa: “silêncio estamos suspirando histórias…”. Pois há tantas riquezas quando nos permitimos o autoconhecimento. Seja em prol da criação divina, em prol da humanidade e de nossa evolução vejo que  a proposta da cidadania dá sinais simples de bondade, solidariedade.

Proponho resgatar valores adormecidos nessa vida.  Sigo integrando à minha vivência, à minha prática. Onde os exemplos pescados possam estar acessados. As palavras que orientam, divertem e curam precisa ganhar vida nessa temática da vez. Vou acessando o território do afeto. Buscar um coração amoroso, plantar na cabeça do  tempo a dimensão de ações espiritualizadas porém bem humoradas.  Que possamos nutrir na realidade, seja, com jovens que  tem olhar envelhecidos, adultos, anciões e crianças os sinais da Presença de Deus.  Construindo caminhos com diferentes linguagens artísticas que nos leve até a Seara da espiritualidade.

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O que se faz com o coração dá muita vida, dá mais esperança. Adquirimos imunidade contra o mau com a pratica do bem.  Quando doamos tempo de escuta e exercemos o direito de estar vivo. Ganhamos gotas e mais grau entra na corrente sanguínea. Com atividades no Orientação Espiritual somos convidados: Ouvir o que há no centro da  vida de nosso próximo. Essa é uma tarefa especial. Isto requer doação. Prontidão.  Humildade. 

Sentir a presença de Deus no encontros permite dizer em atitudes que podemos ser cidadães ensolarados. Mesmo que isto exige conhecimento, discernimento, escolhas e prática. “Queremos mais humanidades que maquinas”. Vale insistir. Pois o prêmio é tão único. Só sabe quem se coloca à servir. ” Superior é quem  serve”. Diferente do intemperismo, viajamos por mares às vezes agitados e por vezes em águas calmas. Mas descobrimos nas travessias que ora somos canoa e  ora somos rio.   Em cada travessia podemos despertar a gratidão por estar remando. 

A temática da vez: cidadania. Permite e espiritualidade e cidadania fortaleça o ser humano. Pois  dentro da  vida nos tornamos gente.  Não é algo abstrato, fora da realidade, fácil que cai do céu.  A temática da vez  dentro da espiritualidade trata de unir e reconstruir pontinho por pontinho para estender um colcha que nos acolhe.

Nascemos e vamos nos construindo no caminho da Espiritualidade. Nascemos de  depois nos tornamos pessoas. Se não recebemos cuidados apropriados podemos não chegar a ser um humano. E isso nos é apresentado em  diferentes grupos humanos.  Tal fato pede reflexão profunda, meditação, apropriação, estudo. Ancora nossa vida junta ao grande navio. Reverenciar  cada gota de água que  chega nesse Rio da vida. Toda a água que se mistura nos modifica, nos melhora e nos conduz ao mar.

Nesse caminho de humanização, sem dogmas exagerados, sem radicalismos, estreitas visões de mundos  há de ser perceber que a sensibilidade  pode acessar a arte de ser humano.  A arte de conviver e nisso existe a presença de Deus.  Sonho ainda com dias em que os futuros  dirigentes  tenham amorosidade e queiram estar reunidos nos mutirões em prol de cidadania em prol de nossa religiosidade. Pois vivemos o ritual da oralidade. E assim contamos aos que  vem depois de nós quem somos e  o que acreditamos.

Como ensinar a Presença de Deus com ações de cidadania?

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