Recordatório da c. Railda Ribeiro Martins

OEUDV TEMA 2016 – CIDADANIA: “Compartilhando Memórias”
Conhecendo as histórias de vida do nosso povo – OE
Núcleo Apuí – Salvador / Bahia – 4ª Região

Perguntatório: RAILDA RIBEIRO MARTINS (CDC) – 69 anos

Data: 17/09/2016 (3º sábado do mês de setembro)
Perguntadores: 16 Crianças e Jovens
Demais Expectadores: 65 Adultos
Horário: 15h
Local: Barracão do Núcleo Apuí

Equipe de Trabalho: M. Maurício (Responsável Regional OEUDV 4ª Região), Cons. Emanuela (Responsável Nuclear do N. Apuí e Apoio de Produção), Cons. Ciro (Auxiliar da RN com as Crianças e Apoio na Produção), Cons. Dominique (Auxiliar da RN com os Jovens e Apoio de Produção), Cons. Denise, Felipe Wenceslau (Filmagem), Deise Matos, Luisa Torreão (relatório).

c. Railda se apresentando ao público.

c. Railda se apresentando ao público.

 

O extenso mural exibia fotos, recortes e documentos que abarcavam uma vida inteira de quem tem muita história pra contar. Ao lado, uma máquina de datilografar repousava em cima de uma mesa compondo o cenário das lembranças de uma menina que só conheceu a escola aos sete anos, mas formou-se professora e tornou-se escritora. Parte da infância de Railda foi vivida na roça, onde lavava roupa, plantava milho, cozinhava com carvão e lenha e passava ferro de engomar. Brinquedo quase não tinha. Sua diversão se fazia em troncos de bananeira, bonecas feitas de espiga de milho, retalhos de pano e panelinhas de barro. Nunca reclamou. Sabia ser feliz com o pouco que tinha.

 

Mural exibindo fotos, recortes e documentos.

Mural exibindo fotos, recortes e documentos.

A partir dos sete anos, conheceu o que era uma sala de aula. Durante cinco anos, estudou em conventos; depois foi para um colégio interno. Railda diz que sempre gostou da escola – lugar encantador, onde tinha amigos para brincar, livros para ler e merenda para lanchar. Leu todos os livros de Monteiro Lobato e as histórias de Walt Disney. O incentivo veio da mãe, que precisava trabalhar para a subsistência da família, mas sempre aconselhava os filhos: “Vocês precisam aprender a ler e escrever; é importante estudar e ir para a escola”.

Railda levou tão a sério o conselho que fez disso seu ofício. Formada em Letras, foi trabalhar como professora de escola e, mais tarde, chegou a ser vice-diretora. Deu aula em diversos lugares do Brasil e até em Buenos Aires, na Argentina. Uma coisa que ela sempre gostou foi de ouvir os causos dos mais velhos. Ainda menina, pensava: “No dia que eu crescer, quero escrever todas essas histórias. Quero poder fazer as pessoas rirem”. Não havia internet naquela época, e as histórias ainda eram as melhores companhias para conhecer o mundo. Já adulta, Railda fez daquele sonho realidade. Escreveu e publicou o livro Aracuco, além de alguns contos e poesias.

UDV – A chegada de Railda à União foi aos 38 anos, trazida pela amiga de longa data, a c. Raimunda. Inusitadamente, conta que a primeira vez que bebeu o Vegetal sentiu gosto de chocolate. Ainda mais especial foi ter sentido a presença de Deus na vida dela. Desde o primeiro dia, aproximou-se para auxiliar na cozinha e não parou mais de trabalhar por esta causa. Mesmo já tendo uma base católica familiar, diz que passou a se comportar melhor após a chegada à UDV. “A União mudou minha vida”, afirma.

Quando Railda chegou ao Núcleo Apuí, já tinha duas filhas, Denise (CDC) e Deise. Criou as duas sozinha, conseguiu dar estudo e formação acadêmica para que hoje tenham uma vida confortável. No começo, com a estrutura ainda precária, era difícil levar as meninas para as sessões, não havia berçário ou dormitório. Algumas vezes, as deixava na casa da c. Nair. Mais tarde, começaram a levar colchões e colocar as crianças para dormirem nas dependências do núcleo. Mesmo tendo que passar por estrada de barro que rapidamente se transformava em lamaçal, quando chovia, as idas para o Apuí eram sempre uma alegria.

Como conselho para os mais jovens, Railda pede que continuem nessa caminhada e cada um procure dar sua contribuição. Também aconselha que aproveitem as boas oportunidades, respeitem os mais velhos e estudem.

SOU CIDADÃ DO MUNDO*

Sou cidadã do mundo
Nasci na cidade do amor
Faço um trabalho profundo. Na cidade de São Salvador

Estudei para ensinar
Vivo para aprender
Vim aqui buscar
Um pouco mais pra conhecer

No mundo tenho vez
Nele faço a minha parte
Ensinando português
Com criatividade e arte

Meu nome é Railda
União de rio e mar
Sou gota de amor na vida
Que nasceu para brilhar

*Poema de autoria própria declamado durante a entrevista

 

Momento de alegria com os amigos. Sua filha Caçula Deise (lado direito).

Momento de alegria com os amigos. Sua filha Caçula Deise (lado direito).

Denise sua filha primogênita auxiliando na condução do perguntatório.

Denise sua filha primogênita auxiliando na condução do perguntatório.

 

 

C.Durvalina – Sobrinha de M. Gabriel

 

 

 

 

 

2º Perguntatório: DURVALINA COSTA FERREIRA (CDC) – 77 anos – filha de Maria Gabriel da Costa e Pedro Ferreira da Silva

 Data: 16/05/2015 (3º sábado do mês de maio)

Perguntadores: 13 Crianças de 02 a 11 anos / 03 Jovens de 12 a 17 anos

Demais Expectadores: 20 Adultos

Horário: Período da tarde (15h40 às 16h50)

Local: Barracão do Núcleo Apuí

 

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Potes de barro, moringa e lamparina espalhados pelo chão, um jarro de flores, uma esteira, bandeirolas, um mural com 17 fotos e uma poltrona coberta de chita. O cenário rústico era o primeiro convite para que a nossa memória viajasse no tempo em busca de reviver aquelas antigas lembranças. Reminiscências de quem viveu uma realidade bem diferente da que nossos jovens e crianças experimentam hoje. Quem conhece a Conselheira Durvalina, com seu jeito sério e sereno, sabe que aqueles olhos por trás das lentes grossas carregam imagens de uma dura experiência de vida. Para muitos dos que ali estavam presentes na tarde daquele sábado, entretanto, era a primeira oportunidade de se aprofundar na história de vida dessa senhora, sobrinha do Mestre Gabriel, filha da irmã dele, Maria.

Durvalina 1

Segurando nas mãos um pote de doce de banana, marca registrada da Conselheira Durvalina, Luana, de 11 anos, abriu o perguntatório, querendo saber como havia sido a infância dela em Coração de Maria (BA). De muito trabalho; ela não escondeu. Durvalina e os irmãos viviam com os pais na roça, em tempos em que tudo era mais longe. Divertimento não havia. O tempo era dedicado ao trabalho árduo para auxiliar na sobrevivência da família, desde os seis anos, plantando mandioca, capinando, criando galinhas. Um minutinho que parassem para fitar o céu era motivo para receber reprimendas do pai. Brinquedos? Nem isso ela tinha. Vez por outra, ainda tentava improvisar uma boneca com espiga de milho, mas não durava muito. Quando o pai pegava, jogava fora, porque queria todo mundo trabalhando. “A vida era trabalhar, não tinha brinquedo não”.

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Durvalina contou que ainda bem criança ela e os irmãos foram levados pela mãe Maria para a casa da avó, dona Prima Feliciana, fugindo do pai que bebia muito. Nesta época, o jovem Gabriel já havia saído da casa da família em busca do tesouro ainda desconhecido. E ela conheceu o tio quando tinha três anos. A vida na casa da avó não era mais fácil. Por desacordos com dona Prima, a menina decidiu ocupar outra casa de um parente, abandonada no outro lado da rua. Levou com ela alguns irmãos menores, de quem tomava conta. Ficou lá um tempo até que foi chamada para trabalhar na residência de um casal, em outra cidade do interior, tomando conta do filho pequeno deles. Tinha apenas 11 anos.

A vida, novamente, não havia de ser mais fácil. A jovem Durvalina dormia no chão, era maltratada e não recebia salário. Em troca do trabalho, apenas comida e alguma roupa. Um dia, indo à feira da cidade com o menino no colo, ela encontrou uma conhecida da mãe dela. Não pensou duas vezes e foi até ela, pedindo que mandasse um recado à mãe para que viesse buscá-la; já não aguentava aquela vida de sofrimento. Dona Maria veio. Chegou tarde e, mesmo sendo oferecida a ela uma cama para dormir, preferiu o chão junto à filha, pois se ali era o lugar dado à menina seria também o dela. No outro dia, as duas foram embora e Durvalina passou a morar com a mãe, em Pé de Serra. Já adulta, teve duas filhas, Najara e Fernanda.

Em 1982, Durvalina veio morar no núcleo Apuí acompanhando a mãe Maria, que se tornou caseira a convite do irmão, m. Antônio Gabriel. Começaram a freqüentar a União e gostaram. A princípio, Maria era quem recebia o salário para cuidar dos afazeres e Durvalina subia a longa estrada de barro a pé até chegar na cidade, onde deixava as filhas na escola e ia trabalhar fazendo faxina. Após um tempo, decidiu-se por aumentar o salário para que fosse dividido pelas duas e cada sócio dava um item para compor uma cesta básica doada a elas. Foram três anos morando no núcleo até sair dali, em 1985, para ocupar residência própria adquirida com o auxílio dos irmãos da UDV, em Camaçari (BA).

Durvalina continuou seguindo a União, auxiliando o crescimento do núcleo, onde recebeu o CDC e ainda hoje permanece. Foi também ali que, a pedido de pessoas da irmandade, despertou para aprender a fazer o que hoje ela sabe de melhor: um bom doce caseiro! Para coroar o perguntatório, a jovem Luanda pediu para que ela ensinasse a receita de uma de suas iguarias. A garota levantou-se e, posicionada ao lado da poltrona da entrevistada da tarde, escreveu em um quadro negro os ingredientes e modo de preparo do famoso doce de banana com coco. E, para não ficar só na teoria, os participantes puderam degustar a receita ao final do perguntatório. Partilha de sabores e memórias, finalizada em clima de emoção e alegria, deixando em nós a admiração por quem experimentou uma realidade amarga e soube fazer da vida um lugar mais doce.

A Conselheira Durvalina com seu trabalho conseguiu formar suas duas filhas. Hoje Najara (foto abaixo) é Engenheira Ambiental com Pós graduação em Sistema de Gestão e Auditoria e Engenheria de Segurança do Trabalho. E Fernanda formada em Administração Hospitalar.

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Equipe de Trabalho: M. Maurício (Responsável Regional OEUDV 4ª Região), Cons. Emanuela (Responsável Nuclear do N. Apuí e Apoio de Produção), Cons. Ciro (Auxiliar do RN com as Crianças e Apoio na Produção do Cenário), Cons. Dominique (Auxiliar do RN com os Jovens e Apoio de Produção de Cenário), Cons. Gloriete, Felipe Wenceslau (Filmagem), Najara Santana, Vítor Boaventura, Val, Catarina Tavares, Luana Siena, Felipe Pinto, Deise Matos, Luisa Torreão (relatório).

 

Biografia OE

indiozinho-maiorAnos 60 e 70

  • As poucas crianças e jovens comungavam o vegetal e frequentavam livremente o âmbito e sessão.
  • O Foco do Mestre estava na criação da União do Vegetal como um todo, fortalecendo os valores morais que sustentam a FAMÍLIA.

Anos 80 e 90

  • Primeiras sessões com crianças e jovens.
  • Início das atividades recreativas direcionadas
  • A regulamentação da comunhão do Vegetal por pessoas menores de idade
  • Solicitação da Representação Geral para a criação de um Guia, espécie de catecismo”.
  • Elaboração do Guia de Orientação Espiritual para Crianças e adolescentes da UDV.
  • Algumas aplicações deste Guia em poucos Núcleos, sem compartilhamento com as demais Núcleos e nenhuma
  • sistematização.
  • Realização dos 1º s Encontros Nucleares e Regionais para Jovens.

2000 até 2007

  • Metodologias extra oficiais do uso do Guia, ainda não editado.
  • Continuidade na realização de alguns encontros e sessões para jovens por iniciativas dos Núcleos e de algumas regiões.
  • Necessidade de ministrar mais efetivamente o Ensino Religioso para crianças e jovens da UDV, com a utilização do Guia de Orientação

11 de Novembro de 2007

  • Criação do Grupo de Trabalho de Ensino Religioso para crianças e adolescentes da UDV ( GTER ) para implantação e estudo da metodologia de ensino religioso no centro.

2008

  • Principais ideias do guia são organizados em mapas mentais temáticos

indiozinho-maior2008 a 2013

  • Lista Geral online
  • Estruturação das Bases Gestão Geral e lista específica da equipe e responsáveis regionais
  • Elaboração dos documentos de Recepção com Kit Boas Vindas e Integração
  • Documentos estratégicos e estatísticos e Respostas a Perguntas Freqüentes
  • Implantação de relatórios das atividades realizadas nos Núcleos
  • Lista das Bases (ambiente virtual especialmente direcionado para a equipe da gestão geral)
  • Estudos dos relatórios e análise dos 3 padrões pedagógicos e indicadores de qualidade.
  • Pesquisa da Memória dos Caianinhos das décadas de 80 e 90
  • Publicação de “Vivencias Caianinhas”, artigo da revista Brasília Médica
  • 1º Encontro GTER na Sede Geral BSB 2009 – com relatório avaliativo do Café Mundial
  • 1º Encontro das Bases No Rio de Janeiro – 2011 – Núcleo Janaína
  • Censo 2011
  • Catalogações e Sistematizações – Caderno I e II com as melhores ideias de atividades temáticas colhidas dos relatórios
  • Designação do Responsável pela OE e alinhamento de metodologia.
  • Determinação de faixas etárias: crianças de 0 a 11 anos de idade e jovens de 12 a 18 anos de idade incompletos

De 2008 a 2014

  • Integração da ER ao Depto. de Instrução e Doutrinação Espiritual do Centro (2013)
  • Implantação do nome Orientação Espiritual com Crianças e Jovens (OEUDV)
  • Estudo da Identidade Caianinha – O que ela é e quando está presente nas atividades
  • I Encontro Geral da Orientação Espiritual com crianças e Jovens – Cuiabá – MT (2013)
  • Construção da carta coletiva com exemplos e ensinos do Mestre para vencer desafios na educação de crianças e jovens.
  • DVD com material de Apoio OEUDV distribuído aos responsáveis
  • Encontros nucleares e regionais com Pais e dirigentes, Famílias e Jovens
  • indiozinho-maiorSessão com os Pais, Famílias e Jovens em diversas regiões
  • Movimentos jovens culturais caianinhos se expandindo
  • Fortalecimento das famílias com estudos a respeito do educar
  • Fortalecimento dos jovens na OE com a TI)
  • Produção de 14 Informativos (9 edições GTER, 2 edições OEUDV e participação em 3 Alto Falantes)

ONDE ESTAMOS

  • Censo 2014 (em fase de conclusão da apuração dos dados)
  • Construção do SITE da OE (construção em andamento junto com a TI)

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