Compartilhando Histórias – Instantes do Tempo

Veja as fotos e imagens dos entrevistados e participantes das historiografias.

 

Historiografia N. Lumiar – 5 Região – Maria Isabel Frossard Magalhães

Historiografia N. Lumiar – 5 Região – Maria Isabel Frossard Magalhães

 

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O sorriso da Isabel

Maria Isabel Frossard Magalhães é a Conselheira Isabel,

carinhosamente chamada de Bebel aos 70 anos de idade.


Ela acompanha a irmandade do Núcleo Lumiar desde os primeiros ‘’atos’’ do núcleo como no acontecimento da formalização da doação do terreno e a 1° sessão ocorrida na área doada, antes mesmo do início da construção da obra do Núcleo onde hoje estamos instalados.

Por ser a sócia mais idosa, logo assumiu o lugar de matriarca da irmandade, bem querida por todos, inclusive pelas crianças, sendo destaque com seu jeito alegre e acolhedor.
Na ocasião da atividade estavam presentes boa parte dos sócios do núcleo, incluindo também sua filha e seus dois netos.

 

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Boneca, colcha e objetos pessoais da Isabel

O cenário foi marcado e ornamentado com objetos pessoais da Isabel, escolhidos pelo seu valor sentimental e longo tempo, como o vestido usado por ela em seu batizado, discos de vinil antigos que gostava de ouvir, colcha de fuxico feita por ela, entre outros objetos que remetiam à sua memória de infância.

 

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Crianças junto a Isabel

 

Nai, filha de Isabel.

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Criança perguntando

As perguntas eram formuladas de forma espontânea pelas crianças e o foco foi a infância da Isabel objetivando assim trazer ao conhecimento das pessoas presentes como viviam as crianças daquela época.
- Devido a um problema na fala ocasionado por um AVC (Acidente Vascular Cerebral) que a entrevistada sofreu, sua filha Nai e a Conselheira Josele – responsável nuclear pelo trabalho da Orientação Espiritual – mediaram e interpretaram algumas falas, facilitando o entendimento por parte de quem estava assistindo, principalmente das crianças presentes. Restrição física que não impediu a entrevista, só a tornou mais emocionante e singular.

 

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Placa do apiário do pai da Isabel

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Boneca que Isabel brincava quando era criança

 

O recordatório transcorreu com muito saudosismo e o assunto mais explorado foi as brincadeiras da época de criança onde ela relatou que brincava com bonecas e bichinhos de frutas devido ter passado a sua infância em um sítio da família e ainda guardava com carrinho um rótulo de mel produzido pela família dela nessa época.

Entre tantas outras perguntas ela falou dos irmãos, inclusive que ajudou a cuidar do irmão mais novo.
Casou cedo e teve um filho (falecido ainda jovem) e uma filha – Nai, que foi quem a trouxe para a UDV ainda nos anos 90. Naquela oportunidade bebeu o vegetal pela primeira vez em Brasília depois chegou a frequentar outros núcleos da região.

 

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Disco de Vinil

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Crianças tocando no disco de vinil

 

Quando recordou seu gosto musical, mostramos para as crianças um disco de vinil e uma vitrola, na qual tivemos a oportunidade de colocarmos para todos ouvirem uma música do Roberto Carlos (Fé), um de seus cantores preferidos, foi um momento emocionante trazendo lágrimas aos olhos de alguns participantes.

O entrevista foi concluída com uma salva de palmas e um abraço coletivo das crianças na entrevistada.
 Foi oferecido um lanche em homenagem a ela contendo alguns alimentos que ela gosta como bolo de fubá com goiabada.

 

Participantes

Participantes

Após o lanche realizamos uma atividade manual, pois a Bebel sempre teve muita habilidade e criatividade. Ensinamos as crianças como fazer um pompom de lã com as próprias mãozinhas. Todos os pompons produzidos foram guardados para em uma próxima etapa afixarmos na cortina do dormitório enfeitando o ambiente. (21/11/15)

Historiografia N. Lumiar – 5 Região – Tasso Peçanha Lós

Historiografia N. Lumiar – 5 Região – Tasso Peçanha Lós

 

 “Tasso Peçanha Lós é um encantador de meninos.

Com suas histórias mirabolantes estimula o imaginário infantil.

A irmandade é grata por sua generosidade ao doar o terreno em que hoje é o Núcleo Lumiar “.

Participantes

 

Tasso Peçanha Lós

Tasso Peçanha Lós

Quem é o sr. Tasso?

Tasso Peçanha Lós, nascido no nordeste e criado no interior (na roça ) como ele mesmo denomina do Rio de Janeiro pelas avós.
- Teve uma infância muito ativa entre sete irmãos. Formou-se jornalismo e trabalhou na área por alguns anos, mas também se dedicou a estudos literários, poéticos, medicinais e a vida. Hoje podemos dizer que é um encantador de meninos através de suas brincadeiras e histórias mágicas e mirabolantes. Irmão este ao qual temos reconhecimento e gratidão, pois além de ser sócio fundador é o doador do terreno onde hoje esta localizado o Núcleo Lumiar.
 Para dar inicio e estimular as perguntas apresentamos para os participantes o mural composto por uma árvore genealógica, fotos e mapa com o local de nascimento.

Árvore Genealógica

Árvore Genealógica

Primeiros momentos

A criançada começando a se reunir em volta do convidado

A criançada começando a se reunir em volta do convidado

O que gerou algumas indagações sobre as informações visualizadas.
 Com o dia lindo conseguimos realizar a atividade na área externa, assim convidamos todos para se dirigirem ao gramado onde, já a espera e envolto por um cenário mágico. A criançada se espalhou pela colcha de retalhos e os adultos em volta. Assim seguiram as primeiras instruções: lembretes do que é e para que é o perguntatório; como devemos tratar os mais velhos; respeito a ordem de perguntar e ouvir a resposta – para este ponto elegemos um chocalho como elemento de transição, pois o entrevistado havia tido contato com índios em uma fase de sua vida.Durante a entrevista, e de acordo com as perguntas, colocamos as crianças em contato com os objetos relacionados.

Entrevista

As perguntas iniciais foram relacionadas ao local e acontecimentos do nascimento (objeto de contato: antiga mala de couro de viagem), pois Tasso nasceu no sertão de Alagoas, na roça de Coruripe. Naquela época, cidade pequena, só havia parteira. Logo depois de nascido a família teve que voltar de navio ao Rio de Janeiro. Por serem parentes de Lampião sua mãe não se sentia segura na cidade natal, por isso o Sr. Tasso foi registrado como carioca no Rio de Janeiro ficando (aproveitou para explicar o que era um cangaceiro).
-Quanto as brincadeiras da infância ele citou como era feito os carrinhos, bichinho – espetando palito no limão, mamão ou legumes, espiga de milho … “coisas da roça”, amarelinha e pique esconde.
- Com relação a convivência entre os irmãos, ele explicou que era o mais velho entre 7 irmãos (as crianças fizeram carinhas surpresas), e tinha que tomar conta dos irmãos mais novos e os meninos tinham que defender as meninas.

Experimentando a caneta de pena

Experimentando a caneta de pena

Experimentando a caneta de pena

Experimentando caneta de pena

Rádio Antigo

Rádio Antigo

Já na época de escola falou das dificuldades financeiras e da distancia, por isso muitas vezes iam a pé ou a cavalo. Neste momento foi apresentado para as crianças livros antigos e caneta de pena – o que chamou muito a atenção dos pequeninos – todos escreveram e adoraram)
. Tão foi comentado da divisão das tarefas entre os irmãos com os afazeres do sítio e também da simplicidade e das maneiras na hora das refeições.
 Quando perguntaram se existia poste, foi a oportunidade de se falar das restrições da energia elétrica… contudo não tinha televisão e o programa preferido da família era, no fim do dia, se reunir em volta do rádio para ouvir os programas e novelas de radio da época . Neste momento mostramos um rádio antigo que compunha o cenário.

Atividade Manual: plantio de mudas de temperos e ervas medicinais em caixotes de feira

Atividade Manual: plantio de mudas de temperos e ervas medicinais em caixotes de feira

Foi mencionado a falta de médicos na região o que fez nosso entrevistado aprender algumas coisa de ervas medicinais com as avós.
- Para finalizar relatou como foi seu encontro com a União do Vegetal, pois ele já tinha amigos que há muito tempo que eram da união, mas só em 2006 veio conhecer o grupo de Friburgo, assim realizando um desejo de anos: doar o terreno para União do Vegetal e associar-se ao grupo.
- Após a entrevista fizemos um lanche com pratos presentes na infância do entrevistado, como bolo de fubá, biscoito de polvilho, suco de maracujá …).

Para finalizar, com as orientações e supervisão do entrevistado plantamos, com o auxilio das crianças e jovens, mudas de ervas medicinais e temperos em caixotes de feira. Esta atividade foi idealizada pelo próprio entrevistado, pois o mesmo sempre teve uma forte ligação com plantas, interesse despertado pelos ensinamentos das avós. Para surpresa do sr. Tasso seu filho, neto e sobrinhas estiveram presentes.

 

Entrevista Conselheira Érica Monteiro | Realizada pelo Núcleo Sabiá em outubro de 2015

17-10-2015 - Entrevista OE - C. Érica Monteiro (6)

 

Ela conserva o brilho e a forma dos olhos de criança! Entusiamo é  o nome… Quer bordar um lindo tecido , cheio de cor,de afeto,de gente grande e pequena ,de trabalho, de construção. Quer trazer o bem, quer tecer como em tear,artesanalmente confecionar,alinhavar para  entregar láááá no fim,  uma vida bonita, uma história consistente,um passo na evolução.

Assim percebemos nossa  historiografada  “estrangeira” (porque  pertence ao Núcleo Rei Divino em SP )   mas  tão da nossa tribo: gosta das águas frias,da natureza,dos dias intensos,da convivência,de gente,enfim… Tem força de vida! Foi convidada por nós e aceitou ser nossa ilustre entrevistada do mês de outubro,concluindo uma semana de boas atividades com crianças e jovens  aqui conosco.

Conselheira Érica Monteiro,54 anos de idade,carioca “erradicada” em São Paulo ,casada com C. Dagoberto há pelo menos uma boda prateada.Mãe de três filhos e recentemente introduzida ao mundo  caramelizado das avós. Frequenta o Núcleo Rei Divino em SP mas é filha do Núcleo Samaúma, também neste estado..Nos seus relatos, percebemos nela uma mulher de inteligência e sensibilidade,formada nos circuitos das Artes de onde sempre tirou seu sustento e também sua alegria. Tem amor e jeito com crianças e jovens.Já transitou desde muito nova por entre circunstâncias  diferentes e veio aportar,ainda adolescente,no porto seguro da União do Vegetal, onde se encontra há 37 anos.

O cenário foi cuidadosamente pensado,tecido por ela própria com muitas e interessantes fotos dispostas em cartolinas e monóculos.A seu lado um cesto com linhas e agulhas,também flores e um “banner “do pequeno príncipe .Ela entrou no salão em contexto de solenidade,ao som da música “Brincar de viver” ,entoada por Maria Betânia.As crianças fizeram muitas perguntas e relataram  mais à frente,que adoraram a entrevista.Quando abertas para jovens e adultos, as perguntas foram intensificando-se ,esmiuçando sua vida em todos os seus aspectos,entremeando músicas,abraços e muita emoção.Foi uma entrevista longa e por este motivo mesmo bem satisfatória.Pudemos conhecer esta caianinha de longa data,sedimentando nosso respeito pela pessoa ,por sua trajetória e por seu trabalho na União do Vegetal.

Esta entrevista teve uma prorrogação quando,em um segundo momento,a C.Érica ensinou pais e crianças a fazerem mandalas confeccionadas em linha,estendendo seus ditos e vividos através de sua própria arte.

Data da entrevista:10/2015

Local:Núcleo Sabiá – Uberlândia –MG

Entrevistada: C.Érica Monteiro Sacco –sócia no Núcleo Rei Divino

3ª região

 

Jurandir, o menino que chamava os passarinhos.

Jurandir, o menino que chamava os passarinhos.

“Eu gosto de ver os passarinhos bem de pertinho. Eu chamo eles para poder ver e deixar ir embora. É bem melhor que botar na gaiola.”

Seu Jurandir foi um menino diferente dos meninos de hoje. Ele não brincava de tablet e nem assistia televisão porque onde ele morava não tinha energia elétrica. Vivia rodeado pela natureza e pelos pios do Buriti, do Inhambu, do Uruba… dos passarinhos que conheceu e aprendeu a imitar.

A floresta é mesmo encantadora! Seus sons despertaram no menino, ainda aos 5 anos, a paixão pela música. Nessa tenra idade já sofria, muito interessado pelo   acordeom cujo dono, seu pai, não permitia tocar. Com inocência e astúcia, esperava o pai sair para, escondido, tocar o tão interessante instrumento. Foi quando, em um encontro de família, a sanfona foi deixada sozinha. O menino Jurandir pegou a sanfona e tocou para todos verem. Foi uma grande alegria.

Seu Jurandir gostava de andar na floresta porque se interessava pelas matas. E por ser tão ligado às árvores, aprendeu a trabalhar com a madeira. Com seu conhecimento, fazia pios, espécie de apitos que imitavam o som dos pássaros. Com eles, chamava os passarinhos só para vê-los e deixá-los ir. Seu Jurandir não tem necessidade de prendê-los em gaiolas pois tem o poder de chamá-los. Também foi de madeira a sua primeira bicicleta, que ele fez com suas próprias mãos. Ele foi lá no mato e arranjou os paus. Com uma ferramenta fez uma roda meio quadrada que a cada rodada ia ficando mais redonda. Com essa bicicleta ele fez muito sucesso! Carregava nas costas até no alto do morro e descia ladeira abaixo.

Em suas andanças pela floresta já encontrou onça três vezes mas, graças a Deus, nunca foi atacado. Perigo mesmo foi quando Seu Jurandir perdeu parte de um dedo, trabalhando com serra. Mas ao invés de abandonar a paixão pela sanfona, Seu Jurandir não desistiu – foi difícil, mas ele aprendeu sozinho um novo jeito de manusear os teclados na sua nova condição, tocando tão bem quanto sempre tocou. Ele não se mostra abatido ao contar essa história; pelo contrário, traz uma lição: não devemos desanimar diante das dificuldades.

 

Sr. Henrique e Dona Maria, um casal em União.

Sr. Henrique e Dona Maria, um casal em União.

“Naquele tempo a gente ia no forró, andava a cavalo, ia a igreja, tocava sanfona e não tinha quase carro nenhum”
Sr. Henrique falando pomerano.

“A gente lia muito porque não tinha televisão”
Dona Maria.

O primeiro perguntatório foi feito com o casal Dona Maria, 68 anos, e Sr. Henrique, 71 anos. Apesar de não terem um tempo tão grande na UDV 9 anos, ambos têm uma importância no nosso núcleo e para a União, pois fazem parte da família Filwock, uma grande família que chegou na UDV aos poucos e hoje tem muitos membros sócios. Todos os seis filhos da D. Maria e do Sr. Henrique são sócios da União e estão no CI ou na Direção e, ao contrário do que normalmente acontece, foram os filhos quem trouxeram os pais para a UDV, motivados a seguir principalmente a partir dos exemplos de mudança de vida de seus filhos que eles puderam presenciar. Hoje, a D. Maria segue no Corpo Instrutivo e o Sr. Henrique no Quadro de Sócios.

Nosso principal desafio com relação à realização dessas atividades é a faixa etária de nossas crianças, que têm na maioria entre 3 e 7 anos. Nesse dia, tínhamos 11 crianças e 03 jovens presentes. Sentimos que para que pudéssemos ter um bom andamento da atividade precisaríamos envolvê-los de alguma forma lúdica, motivando-os a parar para pensar na história de outras pessoas, no passado. Por isso, iniciamos a atividade com uma exposição de objetos antigos que pedimos à irmandade, como máquina de escrever, brinquedos antigos, walkman, telefone etc. As crianças ficaram muito interessadas, puderam brincar por um tempo com os brinquedos e manusear os objetos.

O que que é isso?! Era a pergunta que ecoava nas vozes de todas as crianças do núcleo Divino Espírito Santo numa tarde ensolarada, enquanto manuseavam sobre a mesa objetos que contavam a história de Seu Henrique e Dona Maria. Era o preparativo para o primeiro recordatório deste núcleo. Entre objetos e brinquedos, os meninos e meninas se espantavam. Alguns brinquedos eram iguais aos que eles tinham, como o jogo de damas e o ioiô. Outros eram totalmente estranhos para eles, como um objeto que tocava música a partir de uma fita chamado Walkman.

Em seguida, levamos as crianças para se sentarem na área em que aconteceria o perguntatório. Aproveitamos para a atividade uma característica marcante do nosso núcleo que é a grande presença de área verde e fizemos a ambientação num cantinho de frente para a natureza. Colocamos cadeiras confortáveis para o casal com uma decoração bem caseira em volta, relembrando suas origens vivendo no interior, e separamos uma área para as crianças sentarem na grama de frente para eles para ouvirem suas histórias.

A atividade foi introduzida trazendo rapidamente alguns pontos importantes da trajetória do Sr. Henrique e D. Maria, como a sua vida na roça, os costumes diferentes… E assim motivamos as crianças a fazerem suas perguntas também. No início foram poucas perguntas, mas, em pouco tempo, as crianças se interessaram e passaram a perguntar uma atrás da outra! Levamos uma caixinha com algumas palavras-chave para auxiliar no desenvolvimento das perguntas e elas foram utilizadas em alguns momentos, já que como as crianças eram pequenas não foi tão fácil manter a atenção delas a todo tempo.

A primeira pergunta surge de forma bem espontânea:
-Como era o tempo de infância de vocês?
Dona Maria foi logo falando : – No tempo de infância, as meninas gostavam de brincar de boneca e de cozinhadinha, que é de casinha. Elas gostavam de cozinhar.
Sr. Henrique completou : – Quando criança, brincava com os meninos de boleba, que é bolinha de gude, amarelinha, queimada. A noite eles brincavam de pique, que é esconde-esconde. Ele conta detalhes: “Botava um pau em pé lá e quem corria primeiro se salvava”.

Luiza, de 8 anos perguntou se Dona Maria usava salto alto para ir pra festa. Ela conta que quando era jovem usava sim, mas quando criança, não. Quando criança brincava mesmo era de boneca.
Vitória, de 6 anos perguntou se eles conheciam história de Deus. Dona Maria conta que ela frequentava o catecismo todo Domingo e que conhecia as histórias bíblicas como as de Jesus, de Moisés e dos Santos e Sr. Henrique era da igreja Luterana e todos sábado ia para Crisma.

Quando perguntado sobre as línguas que fala, Sr. Henrique, descendente de pomeranos, um povo alemão originário da Pomerânia, solta algumas palavras em pomerano: “Naquele tempo a gente ia no forró, andava a cavalo, ia a igreja, tocava sanfona e não tinha quase carro nenhum”. Na sequência fala algumas palavras em alemão: “Naquele tempo tinha muita menina bonita. A gente saia em dia de Domingo nas estradas, passeava, era legal”.
Foi um momento marcante quando uma das filhas do casal, Jackeline, lembrou que o Sr. Henrique aprendeu português somente aos 12 anos de idade, tendo como língua nativa o pomerano. Ele conversou com as crianças em alemão e em pomerano, todos adoraram!
Quando o Daniel, de 6 anos pergunta como o Sr. Henrique conheceu a Dona Maria, ela leva as mãos ao rosto tímida, escondendo um sorriso. Primeiro ele só responde que foi “por acaso” sem dar muitos detalhes. Ela então complementa: “Dandan, no lugar do interior todo mundo conhecia todo mundo”. Como quem quer encerrar o assunto. Mas as crianças insistem em saber mais um pouco desse assunto, e Sr. Henrique conta que foi na rua, embaixo de um pé de cedro, onde o pessoal ficava após a reza ou a missa. “Ficava para lá e para cá, para arrumar namoro. Tinha a turma dos rapazes e a turma das moças. ”

Os meninos também queriam saber se eles usavam mais o dicionário ou o computador. Dona Maria conta que naquela época não exista computador e na escola, eles tinham um caderno onde eles anotavam o que a professora dizia, era o caderno de antônimos e de sinônimos. E ela complementa: “A gente lia muito porque não tinha televisão”.
Espanto geral, “Não tinha televisão?” e o casal explicou calmamente, “A gente fazia outras coisas, lia, jogava conversa fora, passeava, televisão fui conhecer muito tempo depois.” Dona Maria conta que a primeira televisão que por lá chegou, todo mundo ficava na janela da casa do visinho pra ver aquele objeto tão estranho, diferente.
Observamos que após a entrevista sentimos o casal mais integrado ao grupo de sócios, participando de rodas de conversa e mais presentes em momentos de descontração antes e depois das sessões. Podemos ver também o interesse das as crianças pela história de vida dos entrevistados.

 

O casal Filwock.

O casal Filwock.

 

Momento da pergunta da Vitória de 6 anos, se eles conheciam a história de Jesus.

Momento da pergunta da Vitória de 6 anos, se eles conheciam a história de Jesus.

Sr. Henrique contando um pouco da história de sua vida.

Sr. Henrique contando um pouco da história de sua vida.

Interesse das crianças e participação dos pais.

Interesse das crianças e participação dos pais.

PRIMEIRA HISTORIOGRAFIA N. TIUACO- C. Ivonete Marques

*sugiro que assistam o vídeo

DOCES ENSINOS

Por C. Geovana Bonazoni Cardoso

Núcleo Tiuaco, 2º região/ 15 de Agosto de 2015

M. Representante: Moacir Biondo

Colhedores: 19 crianças, de 03 a 11 anos

Jovens: de 12 a 18 anos, 11 jovens presentes

Equipe de Apoio: M. Ney, C. Rosangela, Patrícia Felipe, José Doades, Tânia, Ricardo, Luciano (In memória), Henríque, Sabrina, Úrsula, Diana.

Local: N. Tiuaco

Era uma bela tarde ensolarada, típica da cidade de Manaus. As crianças aguardavam ansiosas.

Os jovens conversavam entre si, trocavam ideias e se preparavam para fazerem as perguntas.

Nós nos organizávamos dando os retoques finais. Cenário ok, luz, câmera e a música escolhida, tudo ok

Aproxima-se a hora marcada. Reunimo-nos com os jovens e acomodamos as crianças.

Num clima de alegria, ali estávamos num cenário simples, com flores “buganviles” enfeitando as paredes, a cadeira para a entrevistada estava posta e uma mezinha cheia de fotos, lembranças…

A ideia era deixar o ambiente alegre e familiar.

E vinha ela caminhando ao som da música: “Abra a porta que eu cheguei, to chegando é pra ficar…” Vinha com um sorriso contagiante, digno de uma celebridade!

Aqui estamos com nossa amiga Ivonete Marques, pessoa de grande valor e que tem tanto a nos ensinar.

Damos inicio a entrevista;

As crianças não se intimidam, logo vão fazendo suas perguntas, e ela carinhosamente respondendo. Os jovens também se manifestam, porém, são mais objetivos.

Logo de inicio é perguntado o dia de seu nascimento (seis de julho de 1937) 78 anos!

 

Quando ela gosta da pergunta, faz questão de responder bem explicadinho. Este gesto aguça ainda mais o desejo de conhecer mais esta simpática senhora.

Quando perguntada qual era a coisa que mais gostava na época de infância, ela responde que era brincar. “A minha brincadeira preferida era pular corda” faz questão de explicar com se brinca de pula corda. E continua a falar de sua infância…

—Sou de uma família de muita gente, sabem quantos filhos minha mãe teve? Vinte dois filhos sendo que morreram dois e se criaram vinte! Eu sou a terceira, então eu tinha muitos companheiros para brincar em casa. Brincava também na rua porque naquele tempo não tinha esse transito com tantos carros, o meio de transporte principal era carroça puxada por burro ou jumento.

Lembra ainda que o jantar saia às cinco da tarde. “Então nós tínhamos de cinco e meia até às sete e meia para brincar na rua que não tinha perigo”.

Uma criança pergunta: Como era sua vida? Ela logo responde:

—Como era minha vida? Boa, “eu fui uma criança feliz, com pai, mãe e muitos irmãos”.

Fala do tempo de escola e de como era:

— Naquela época tínhamos que decorar a tabuada, porque a professora fazia uma sabatina. Se errasse a pergunta da professora, levava uma palmatória. “E tinha mais, a mãe ainda dizia se errar pode bater que é pra ela aprender”.

Uma infância sem “proteção” onde tinha a mãe como sua melhor amiga.

Aproveita o momento para aconselhar. E diz que amiga verdadeira mesmo da gente é a mãe. Porque tudo que ela fala mais tarde podemos confirmar. “Bem que minha mãe falou!”.

A família em fim, a mãe, o pai, os avós são nossos primeiros amigos, depois vem os outros.

E as perguntas continuam…

A senhora já fugiu de casa? Responde que não e explica:

—La em casa era o seguinte, deixa eu te dizer como era: Quando eu já estava com os meus 16 anos, que já gostava de ir pra festa, tinha um negocio que era pior que levar peia. Eu sempre achei pior que peia é levar um castigo. Então minha mãe dizia: “Você esta 30 dias sem poder ir para uma festa e nem para uma pracinha”, porque reunião era passear numa praça. “Não adianta mandar à amiga e nem a mãe da amiga vir me pedir, porque eu vou deixar e você vai dizer que não quer ir”, a situação era esta. Às vezes eu até tentava, pedia para minha amiga ir pedir para minha mãe. E ela respondia: “Ela pode ir eu não impato não, fica a vontade. E me perguntava: “Ivonete você quer sair”? Eu olhava pra minha mãe e respondia: “quero não”, porque eu já sabia como era o negócio.

Neste momento todos rimos…

Entre uma pergunta e outra, falou de como era namorar naquele tempo, conta que era na presença dos pais e no mais tardar até às nove e meia da noite. Contou que foi noiva aos quinze anos de idade. Rindo conta que ela não escolheu.

—O rapaz pediu aos meus pais e eles autorizaram, mas eu não gostava dele, eu, uma jovem e ele com seus trinta e cinco anos, mas aproveitei que ele fez uma viagem e escrevi uma carta e terminei o namoro.

Quando perguntada qual foi sua maior emoção? Responde carinhosamente que foi o nascimento de seus dois filhos.

Falando de política… Uma jovem pergunta se ela pegou a época da ditadura e se sim como foi?

—Foi bom, pra mim foi bom, eu já estava aqui no Amazonas nesta época e foi quando comecei a trabalhar, era funcionaria publica.

 

E a pergunta que não queria calar: Quando a senhora conheceu o mestre Gabriel?

Responde que foi em meados de 1969 e 1970.

Sobrinha do mestre Florêncio, que já conhecia o mestre Gabriel desde os seringais, e que foi a pessoa quem trouxe o vegetal para Manaus, ela conta que juntamente com seus pais, mestre Vicente Marques e conselheira Mariquinha, conheceram mestre Gabriel.

Bebeu o vegetal pela primeira vez em 1969. Bebia o vegetal nas sessões festivas, vindo se associar já nos anos 1990, quando inaugurou o núcleo que tem o nome de seu pai, Mestre Vicente Marques.

Entre tantas “perolas” ela nos conta mais…

É perguntada do que ela sentia falta, que tinha na União aquele tempo que hoje não tem. Responde dizendo que a União é a mesma de antigamente, os ensinos do mestre são os mesmos. O que mudou mesmo são os núcleos, conta que quando começou a União do vegetal em Manaus, bebia se o vegetal no sitio de seu tio Geraldo (o mestre Geraldo de Carvalho) e  neste sitio tinha uma fabrica com nome de Luminasa e beberam por um tempo naquele lugar, depois passaram a beber vegetal na casa de um deles, ou do mestre Florêncio, do Nonato ou de algum dos poucos irmãos que eram.

Até que chegou o dia que decidiram comprar um terreno e fizeram a primeira sede.

Precisava de um nome, pois até então não tinha. “Lembro meu pai dizendo: vai pro mariri hoje”? Eu já sabia que era dia de sessão. Depois chamavam de núcleo de Manaus. Até que um dia na sessão decidiram que tinha que arrumar um nome para o núcleo, o mestre Florêncio disse que já tinha o nome pra dar, seria Caupuri, e foi feita então uma votação, devia ter umas quinze pessoas nesta sessão e assim foi dado o nome do núcleo Caupuri.

Todos ficaram sabendo um tanto mais a respeito das historias de vida dela e também um pouco mais de como foi o inicio da União em Manaus já que fez parte de sua vida.

Foi um grande prazer fazer essa atividade com essa senhora, que demonstrou habilidade ao responder dando enfase, até mesmo a perguntas mais inocentes.

PRIMEIRA HISTORIOGRAFIA N. TIUACO- C. Ivonete Marques

 

obs: não saíram todas as crianças na foto, pois, saíram para brincar rsrs

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Garimpando as Memórias de Oscanil Rocha

Garimpando as Memórias de Oscanil Rocha

Relatório Comp Mem com Oscanil

 

ENTREVISTA OSCANIL

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Na infância trabalhou cedo, indo para a roça, cuidando de gado. As brincadeiras surgiam quando se encontrava com os garotos das outras fazendas, brincava de canga pé, carro-de-boi, cavalo de pau.
Na sua época de juventude, a história de Serra Pelada se tornou muito conhecida. Após um vaqueiro encontrar a primeira pepita de ouro, a notícia da descoberta espalhou-se rapidamente, despertando o desejo de mudança de vida em milhares de homens que estavam dispostos a se aventurar sob o sol árduo, embrenhando-se no meio de lama em busca de um material considerado precioso.

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Garimpo de Serra Pelada

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Em meio a estes homens que chegaram e se instalaram na região estava Oscanil Rocha, garimpeiro sedento e sonhador. Trabalhou no garimpo por dezoito anos.

 

Ao chegar na UDV identificou-se com a religião e após algumas doutrinas percebeu que precisava encontrar uma companheira e constituir sua família, encontrando assim seu ouro mais precioso.

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“Aquela é minha Estrela”.

“Aquela é minha Estrela”.

1º Historiografia do Núcleo Água Boa – 9º Região

Historiografado:  M Walter Barriunuevo Monteiro

 

Data de realização: 15/08/2015              horário: 15hs as 16:30 min.Entrevista M Walter

 

Em uma tarde ensolarada, ao abrigo do chacronal, ao lado de um bambuzal, num clima de expectativa, com algumas fotos para recordar, crianças e jovens têm a oportunidade de ouvir histórias de um homem que desde menino teve o privilégio de ver uma estrela mesmo com a luz do dia, estrela essa que conhecemos por Estrela D’Alva.

 Uma foto antiga, segurando uma cobra despertou o interesse de todos, sendo essa a primeira pergunta a ser  feita em forma de afirmação pelo menino Thiago de apenas 03 anos. O nome da cobra? Gibóia!. Nem toda  cobra morde e é venenosa, porém precisa cuidado, essa aí é mansinha.  Mais na frente, viemos saber que esta  foto marcou o dia em que ouviu falar pela primeira vez  que existia um chá que com ele se descobria qual a  doença da pessoa e qual a planta que curava. Este chá é o vegetal.

Com cinco anos se lembra que foi morar em Pirapó/PR. Ajudava o pai no comércio.  Brincar na rua era uma  diversão e não oferecia perigo. A cidade era pequena e não tinha tanto carro nas ruas, nem gente mal  intencionada.  Brincava de roda e pique-esconde com os amigos da escola. Nadava em rios e pescava com o  pai e com a mãe. Lembra que era bom em bola de gude, brincava de pião e soltava papagaio, conhecido por  pipa. Passa-anel e carrinho de rolemã também estavam no rol das brincadeiras. Outras eram inventadas pela  garotada. Os brinquedos eram fabricados de próprio punho com madeira, lata de óleo. Montava uma  fazendinha a partir de  chuchuzinhos e pedaços de pau, que em instantes viravam os boizinhos e vaquinhas no pasto.

Por volta dos 05 a 07 anos, ficou marcado por uma estrela, Lupunamanta, Estrela D’Alva. Ele chegava  olhando para o céu durante o intervalo na escola  e  os amigos o pediam para mostrar a estrela, que a chamava por minha estrela.

Lembra do primeiro professor, do uso de palmatória –  uma régua usada para castigar o aluno mal-criado ou gazeteiro.

Gostava de ver estrelas, a lua, pássaros . Lindos pássaros foram lembrados, bem-te-vi, pica-pau, sabiá, beija-flor, tucano, tico-tico deste havia muitos na região. Lembra de uma pássaro, Araponga conhecido por ferreiro. Quando pequeno  haviam muitos passarinhos.

Com 08 a 10 anos, já tinha uma responsabilidade,  cuidava do cavalo e da égua que era de seu pai.

Mudou-se para Apucarana/Pr, mas continuou a amizade com os amigos de Pirapó até a adolescência, lembra da criação de uma cadela de nome Neguinha, dizendo que quase todas as pessoas tinham cachorros.

Já em São Pedro do Ivaí, brincava em meio as matas e cafezais por onde passeava com os amigos para chegar aIMG_20150815_154405720té os rios. Chegava a fugir das tarefas para poder brincar.

A mãe, desde cedo, ensinou os filhos a cuidarem das tarefas da casa: cozinhar, fazer café e até amassar o pão. Cada um com sua tarefa. A dele era passar escovão na casa, aparelho utilizado para lustrar o chão.

AH! O cheiro de terra molhada. De hortelã,  plantado na entre-safra, para a extração do óleo, feito por meio do alambique. Cheiros com lembrança de infância.

O nome dos irmãos, todos com a letra W, vindos dos pais Waldemar e Wanda.

Lembra do café da manhã ao redor do fogão à lenha, da conversa em família. Com treze anos ainda brincava, diferente dos meninos de hoje em dia. Pelo rádio AM, bem cedo, com o clarear do dia, já se ouvia música caipira, sertanejo raiz. Depois surgiu o rock e a jovem-guarda.

IMG_20150815_154848556_HDR  A  escola era diferente, era mais simples e prazerosa, muitas das coisas que se aprendia era por meio de  histórias.

Os idosos eram tratados com respeito e consideração, não se levantava a voz para um pai e uma mãe. E na  convivência entre os irmãos, existia um respeito pelo mais velho que tinha autoridade sobre os mais novos.

Um dos valores ensinado pelos pais: sempre falar a verdade para poder ter o respeito das pessoas.

Os aniversários eram simples, com familiares e a alimentação toda preparada em casa. Os brinquedos não  eram como os de hoje, o primeiro presente que ganhou,  e ainda se lembra, foi uma bola. Naquele tempo se  criava aves, suínos e se conservava tudo em casa. Tinha mais criação de animais em casa, montava cavalo  desde pequeno.

Tinha grande ligação com a mãe, porém a presença do avô José Rodrigues Monteiro era marcante com ensinos. Incentivou a ler, tendo apenas até o segundo ano do primário. Lembra  dele com consideração, dizendo da ligação bem forte que tiveram. Conta que o avô foi criado em um abrigo numa cidade chamada Lins/SP e lá a esposa conheceu, Helena de origem Argentina.

IMG_20150815_153735457_HDR Lembra que no seu tempo de criança o que lhe chamava atenção era o trem e a camionete do avô.  Sempre  gostou da presença de pessoas  e de animais.

Com 18 anos serviu o exército, membro da cavalaria, treinava cavalo de salto.

 

Cada época da vida tem uma história, depois que saiu do exército conheceu sua esposa C. Cleide, trabalhou  um tempo como vendedor, depois comprou um barco pequeno de pesca e foi ser pescador em alto mar. Viveu  um tempo de pesca até o dia que foi convidado para trabalhar com o comércio de ouro e por isso foi para  Porto Velho/RO. Durante o período em que a esposa estava gestante trabalhou com comércio, um bar. Após,  foi trabalhar no garimpo.

No dia da foto com a cobra, aquela do início dessa prosa, foi quando ouviu falar a primeira vez que existia um chá que alguns índios usavam para descobrir qual era a doença da pessoa  e qual a planta que curava. No tempo que tinha um bar, tinha uma mulher que freqüentava  que se denominava Baiana, foi ela quem falou da União do Vegetal pra ele.

Foi um conhecido chamado Carlos que o convidou para beber o Vegetal, há 27 anos.

Um dia foi em uma festa de aniversário da M. Pequenina e do lado dela estava a Baiana, quando foram apresentados que descobriu o nome dela, Jandira.

IMG_20150815_154519454 Conclui com uma mensagem:  A fase de criança e jovem  é muito importante na formação do caráter, que vai  manter a firmeza, o equilíbrio. Ser respeitoso com as pessoas, não andar com mentira, para não ser pessoas  desacreditadas. O maior patrimônio que temos além da vida é a palavra. Sempre é mais leve assumir o que  fez, isso é caráter e não tem dinheiro no mundo que pague, o valor moral da palavra. Na espiritualidade é de  um valor altíssimo.

Traz um conselho citando Moisés: ‘Honrar pai e mãe para que tenhais vida longa na terra’.

Perguntatório Irmão Michael Wolmetz

Perguntatório Irmão Michael Wolmetz

 

3a historiografia do Núcleo Jardim Florescendo, 1a Região dos EUA

Historiografado: Irmão Michael Wolmetz

Crianças de 0 a 11: Hari, Elis, Sofia, Abbie, Mateo, Manuela, Davi, Solar, Skyler, Saulo

Adolescentes: Amanda, Samantha, Gabriela, Ana Carolina, Hanna, Ocean

Michael é a pessoa mais velha do Núcleo, tem quase 73 anos de vida e o único americano a ser entrevistado neste ano de 2015. Pessoa querida na irmandade, sempre presente nas sessões e nas atividades que a saúde dele permite. É considerado legalmente cego e tem certa dificuldade de locomoção.

Ouvimos a história de vida de um menino que nasceu e cresceu em Nova Iorque e arredores. Morava em um apartamento com os pais e uma irmã. O pai era motorista de táxi e a mãe, dona de casa.

Ele teve uma infância muito simples, já que nos anos 40 a vida era bem diferente da vida de agora. Não tinha internet, celulares, mas tinham gibis com personagens que falavam pelo relógio e, aquele menino nunca imaginou que, um dia, aquela tecnologia pudesse se tornar realidade.

Era interessado em descobrir coisas. Tinha um kit de química, pois gostava de ver o que ia acontecer se colocassem coisas juntas. Era bom em matemática e gostava de ciências. Se formou em Quimica e se tornou professor de colegial nas matérias de Química e Ciências. E disse que era recompensador ver as crianças entusiasmadas quando aprendiam algo novo.

Experimentou vários esportes, mas percebeu que não tinha aptidão para nenhum. Lembra de momentos difíceis que passou quando brincava de jogos que tinham de escolher times, pois ele era sempre o último a ser escolhido e isso não era divertido.

Explicou que esportes naquela época não eram organizados como hoje, que os pais levam para os lugares. Eles brincavam na rua.

Na adolescência usou calça boca de sino, tinha um bigode bem grande e um cabelo volumoso e cacheado. Neste momento, fez todos rirem. Difícil de imaginar. Cadê a foto?! O bigode ele teve que raspar durante um período em que estava participando de uma peça teatral e estava interpretando um papel em que era militar. E nunca mais deixou o bigode crescer…

Gostou muito de Star Wars (as crianças vibraram) e chorou ao assistir ET. Mas isso é normal para ele. Se o filme é triste, chora, e se é alegre, chora também.

Aprendeu a gostar de música clássica com os pais, quando jovem assistia a apresentações de ópera. Gostava de rock, na época em que começou o movimento, mas nunca gostou de rock pesado.

Todas as tardes, depois da aula, quando terminava a tarefa de casa, se reunia com os amigos e passavam as tardes juntos em um parque local. Jogavam tênis contra a parede, ouviam músicas, lanchavam juntos e também assistiam televisão, gostava do Clube do Mickey.

A partir do ano de 1997 iniciou um processo degenerativo que afetou a sua visão. Mas não perdeu a alegria e o entusiasmo pela vida. Apesar das limitações, mora sozinho e realiza quase todas as atividades diárias. Sabe que as limitações físicas são apenas desafios a serem enfrentados e que mesmo assim é muito feliz, “ Pois estamos neste planeta para sermos felizes.”

Chegou na UDV através de um grande amigo, que fez a passagem no início deste ano. Conheceu este amigo em 1988, quando eram vizinhos. Nesta época, havia um grupo pequeno de pessoas que bebiam Vegetal. Em seguida, veio o período em que o Vegetal foi suspenso nos EUA e por cinco anos, as Sessões eram com água. Somente depois disso, quando o grupo se tornou uma distribuição, ele quis beber o Vegetal. Foram 13 anos entre o convite e a vinda dele. Ele não se arrepende por ter esperado tanto, pois talvez não tivesse ficado se tivesse bebido o Vegetal naquela época. Sabe que as coisas acontecem por uma razão.

Hoje, esse menino relembra da vontade que teve de ter um cachorro quando criança, mas que só pode realizar essa vontade já na idade adulta, quando resgatou um cachorro da carrocinha. E que hoje ele não pode ter um cão guia, pois também tem uma limitação na locomoção.

Relembra da maior experiência vivida, que foi o nascimento dos 3 filhos e a criação de todos eles. Hoje, todos formados, casados e com filhos.

Conheceu a esposa no grupo de amigos que se encontrava no parque após a escola. Na festa de 16 anos dela (que corresponde à festa de 15 anos no Brasil), ela o convidou para ser o par dela. Disse que dançaram muito naquela noite e continuaram dançando e casados por 18 anos.

Finalizou contando uma piada para as crianças.

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Entrevista com M. José Leite N. Campina Grande 10ª Região

Entrevista com M. José Leite N. Campina Grande 10ª Região

Realizamos o nosso primeiro Perguntatório no dia 18 de abril, com o Sr. José Leite da Costa (QM), com os seus 78 anos de idade, foi escolhido pelas crianças e pelos jovens para ser nosso primeiro entrevistado. Para esta atividade contamos com o apoio dos pais que trouxeram seus filhos para participar e também da Cons. Janeide Beliz e Cons. Isabel Leite.

O local escolhido foi o próprio Templo do Núcleo por se tratar de um local com grande significado emocional para o nosso entrevistado, pois o mesmo auxiliou na sua construção.

Neste dia contamos com a presença de crianças, adolescentes e jovens, a responsável nuclear o Cons. Marta Rejane que deu início aos trabalhos lendo um breve histórico da vida do Mestre José Leite, feito pelos familiares do mesmo, em seguida orientou a dinâmica do Perguntatório, onde as perguntas seriam livres, observando desde a infância até os dias de hoje de ambos entrevistados, com diversas perguntas bem interessantes dentro da perspectiva e objetivos deste nosso trabalho.

O Mestre José Leite mostrou-se bem feliz com esta iniciativa, pois ele gosta de contar suas histórias de vida e em alguns momentos emocionou-se, mas também, em outros sorriu, disse que os jovens nesse dia tocou o seu coração, fazendo aquelas perguntas.

Falou da sua infância, dos seus pais, citou músicas que gosta de ouvir, falou da adolescência, aconselhou os jovens a terem um objetivo de vida, a estudar, a brincar, a seguir a religião dos pais.

Tiveram alguns momento bonitos durante a entrevista, um deles foi quando um dos jovens perguntou: “O que toca o seu coração?” e ele respondeu: “Muitas coisas, especialmente as coisas do passado” Nesse momento ele ficou emocionado e, em seguida falou: “Vocês hoje tocaram o meu coração”. Também contou histórias da sua infância, de como seus pais lhe educaram e das dificuldades daquela época.

Agradecemos por todos que auxiliaram a realização desta atividade, as crianças e os jovens pela participação e, especialmente, ao Mestre José Leite pela valorosa entrevista!

O texto utilizado com seu histórico, no início da entrevista, foi elaborado por sua família:

José Leite da Costa nasceu no dia 23 de abril de 1937 na cidade de Custódia/PE. Seu pai chamava-se Joaquim e sua mãe Luiza, seus pais tiveram 8 filhos. Em condições simples, cresceu e se desenvolveu naquela região, aprendeu a trabalhar desde cedo com seu pai e aos cinco anos de idade já executava algumas atividades do campo. Aos 17 anos seu pai veio a falecer e como ele era o filho homem mais velho, ficou auxiliando sua mãe na criação dos irmãos menores. Incentivou os irmãos a estudar, mas só pode concluir seus estudos depois dos 20 anos de idade.

Conheceu sua companheira Maria Juventude, na região em que vivia sua família, interior de Pernambuco, casou-se com ela em 24 de dezembro de 1960 em Campina Grande-PB, com 23 anos de idade. Daí foram morar em Brasília-DF, onde ele trabalhou sendo mestre de obras de algumas edificações daquela cidade, entre elas a Catedral e o Hospital de Base. Em abril de 1963 voltaram para o Nordeste e vinheram morar em Campina Grande/PB, lá recebeu sua primeira filha Maria Zuliete. Em janeiro de 1965, foi nomeado Secretário Executivo da Câmara Municipal de Custódia/PE, indo para lá morar. Neste período fez o supletivo e concluiu o ensino médio em 1967 em Arcoverde/PE. Neste mesmo ano mudou-se com a família para Recife-PE, lá ganhou mais seis filhos (Isabel, José Carlos, Ana Luíza, Maria da Glória, Juçara e Marta Rejane).

Foi nesta cidade que José Leite fez o curso Técnico em Contabilidade, concluindo em 1969, fez o concurso para Agente Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, foi aprovado, nomeado e admitido em 17/09/1969, depois concluiu o curso superior em Direito em 1977. Em seguida, ele fez um concurso interno para progressão de carreira e foi promovido a Auditor Fiscal do Tesouro Estadual de Pernambuco.

José Leite conheceu a UDV em 18/10/88, em Recife-PE, no Núcleo Cajueiro. Associou-se em 05/11/88. Lá foi convocado para o Corpo Instrutivo em 05/08/89, convocado para o Corpo do Conselho em 10/02/91 e também recebeu a Estrela de Mestre em 01/11/92.

Em janeiro 1993, juntamente com toda sua família veio morar em Campina Grande/PB, onde reside até os dias atuais. Pediu transferência em 31/12/93 para o Núcleo Pau D’Arco e foi transferido para a Distribuição Autorizada de Vegetal de Campina Grande/PB em 07 de setembro de 1995, quando foi inaugurada a mesma, ficando o Mestre José Leite com Responsável pela Distribuição. Depois recebeu a camisa de Mestre Representante em 07 de setembro de 2000, quando esta Distribuição foi elevada à Pré-Núcleo, e cumpriu dois triênios 2000 a 2005.

Em 27/08/05 recebeu a responsabilidade de Mestre Central para dar continuidade ao triênio iniciado pelo Mestre Ernesto Queiroz, que veio a falecer em agosto/05. Depois o Mestre José Leite, foi eleito Mestre Central e cumpriu dois triênios, de 2006 a 2011, em seguida, recebeu novamente a responsabilidade de Mestre Representante do Núcleo Campina Grande, cumpriu um triênio, de 2012 a 2014. Atualmente, o Mestre José Leite continua auxiliando a UDV com sua palavra, experiência e presença.Entrevista com M. José Leite N. Campina Grande, 10ª Região IMG_8949 IMG_8937

Perguntatório Pé-de-Serra

Com o propósito de fazer um bom proveito do tema da vezcidadania, o responsável pelo OE do Núcleo Mestre Adamir (localizado em Teresina, Piauí, 11a. Região) até o primeiro semestre do corrente ano, Mestre Marco Antônio, organizou juntamente com os demais membros de sua equipe e outros voluntários simpatizantes da boa ideia, o primeiro perguntatório do nosso Núcleo.

Ocorre que nosso amigo por motivo de trabalho mudou-se para Minas Gerais, de forma que fora transferida a mim essa responsabilidade.

Em reconhecimento ao trabalho realizado e por considerar importante esse registro da atividade que movimentou de forma positiva a irmandade jovem do nosso Núcleo, segue o registro nas palavras do amigo idealizador dessa primeira atividade junto à nossa irmandade:

“Realizamos o nosso primeiro Perguntatório no dia 19 de abril, com o irmão Zé Paulo Viana (CI) e sua companheira D. Osmarina Carreiro Viana (QS), contando com o apoio da família que tão gentilmente nos recebeu e auxiliou  a montar o cenário  com fotos, som, com direito a repertorio típico da sua região, “um forro pé  de serra e a  sanfona”, não podemos esquecer da alimentação  do bolo de milho, pipoca, milho cozido, sucos.

O local escolhido foi a residência deles na cidade de Timon, irmão Maranhense de Teresina, basta só atravessar as pontes existentes. Neste dia contamos com a presença de crianças, adolescentes e jovens, o MR Antonio Barros, o Assistente do Central M Luís Bonfim, M Fabio e equipe do DMD auxiliando com os registros, outras pessoas da direção mais alguns pais dentre eles os auxiliares nuclear do OE. O representante falou sobre a importância desse momento e passou a palavra para o responsável nuclear o M Marco Antonio que deu início aos trabalhos orientando a dinâmica do Perguntatório, onde as perguntas seriam livres, observando desde a infância até os dias de hoje de ambos entrevistados, com diversas perguntas bem interessantes dentro da perspectiva e objetivos deste nosso trabalho.

Foi muito bom ouvi-los falar da infância na roça, a convivência com gente simples, as brincadeiras, caiu no poço era uma das preferidas! rsss!, mas, também o registro de muito trabalho e da dureza da luta pela sobrevivência diante de poucos recursos, tendo que trabalharem na lavoura onde se alimentavam ali mesmo de marmitas no chão e que a família, só se reunia uma vez por ano em volta da mesa para se alimentarem, sem condições de poderem frequentar a escola, e demonstravam sempre entusiasmo, fé e esperança na vida que tinham acreditando em dias melhores, e a manutenção da crença em Deus, sintonia vivenciada e primordial para o povo simples do campo.

As orações ensinadas, as bênçãos, um rito quase sagrado, como se conheceram ainda jovens e pasmem, descobrimos que após 45 anos de convivência três filhos biológicos e mais 3 filhas do coração, a troca de beijos até hoje é no rosto e na testa!!! Beeeem diferente destes nosso tempos modernos!!!

O Sr. Zé Paulo e D. Osmarina são maranhenses, filhos de uma cidade que se chamada Mirador. Em um dos poucos registros conseguimos uma foto dele onde estava lá a casa, o campinho de futebol e a rua onde nasceu e cresceu, que ele gentilmente e com um sorriso amável falava com alegria, recordando os bons tempos, a dureza pela sobrevivência era atenuada com o contato direto com a natureza.

Naquele contexto de sensação de estarem no passado duas crianças fizeram uma pergunta bem interessante: Vocês conheceram os dinossaurosssssss? Ai foi realmente um momento de descontração!!! rsrsrsrr – Não são tão antigos assim, brincaram alguns dos adultos presentes!!!

Outro momento interessante deu-se quando perguntaram quando chegou à UDV? Ele relatou uma espécie de luz que surgiu quando ambos estavam conversando na porta de casa, uma luz que os guiavam em direção a Teresina, cidade onde fica o N. M. Adamir, e pouco tempo depois foram convidados por um amigo para que conhecessem a União, religião que hoje estão seguindo juntamente com os filhos genros e noras e um tanto de netos.

A equipe OE do N M Adamir, agradece ao casal e familiares e a todos aqueles que propiciaram a realização do evento(…)”

Sou grato pelo trabalho realizado pelo amigo M. Marco Antônio e seus auxiliares e oportunamente publico as novas atividades que já estão sendo organizadas.
1 Perguntatório - N M Adamir

 

 

 

 

 

1 Perguntatório - N M Adamir (1)

Imagens Conselheiro Irany – N. Sabiá

Clique aqui para ler o texto da entrevista

Sr. Antônio Delfino (Passarinho) – Perguntatório N. Caminho Firme

Uma Baiana Feliz – Perguntatório N. Apuí – C. Raimunda

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