Compartilhando Histórias – Memórias em Movimento

Assista aos vídeos dos entrevistas e da preparação para as conversas do Perguntatório nos Núcleos e DAVs.

Entrevista mestre Anselmo Linhares / Núcleo Caminho Firme – 8ª Região

OEUDV TEMA 2015 – CIDADANIA: “Compartilhando Memórias” Conhecendo as histórias de vida do nosso povo – OE

Núcleo Caminho Firme – 8ª Região

COLHENDO HISTÓRIA

3ª Coleta: Sr. Anselmo Linhares Fernandes (QM)

Data: 02/04/2016

Colhedores: Crianças de 05 a 11 anos: Maria Julia, Ester, Gabriela, Maria Luiza, Clara Antônia, Thais, Cauê, Maria Clara, Saulo, Rosalinda, João Gabriel e Helena.

Jovens de 12 a 17 anos: Artur, Isabela, Vitória, Murilo, Maria Antonieta, Alana e Joaquim.

Horário: Período da tarde.

Local: Núcleo Caminho Firme

Equipe de Apoio: M.Carlos Augusto, C. Aldenora, C Elenice, C.Monalisa, C. Renato, Vinicius, Maria Luiza, Giovanna, Alessandra e Amanda.

Epopeia

Segundo dicionário Priberam da Língua Portuguesa, epopeia é um “poema que tem por assunto, ações ou acontecimentos grandiosos”.

Assim como Ulisses teve suas vitórias cantadas ao longo do tempo pelos poetas antigos, Anselmo, apenas mais um herói de sua própria história, vem contando e cantando sua vida e seus poemas.

Ao som de Jessé iniciamos o recordatório…

Eu venho cortando estradas de muitas eras

Eu trago dentro do peito o calor da terra

Eu tenho no meu cabelo a geada branquinha

Que cai na relva de manhãzinha

Bem no começo da primavera

Eu tenho no meu cabelo a geada branquinha

Que cai na relva de manhãzinha

Bem no começo da primavera”

Mestre Anselmo é mais um filho do norte. Nascido em uma colônia agrícola de nome Iata no município de Guajará-Mirim, Território Federal do Guaporé. Teve infância cercada de brincadeiras de rua, banhos de igarapé e de maior contato com a comunidade, diferente do mundo digital dos anos dois mil. Nem mesmo energia elétrica havia e a noite sentavam-se em volta de fogueiras pra ouvir histórias dos antigos.

A família passa a residir em Porto Velho quando ainda era pequeno, e naquela cidade que viria a ser capital do Estado de Rondônia, Anselmo cresceu e se criou. Filho de Antônio Enrique Fernandes e Oneide Nunes Fernandes – Policiais.

Foi criado sob rígida disciplina, pois, devido à lida direta com soldados, os pais destinavam a ele e seus irmãos o mesmo tratamento, o que traz poucas e não muito boas lembranças de sua infância sob esse aspecto. Diz que na maioria das vezes, eram tratados como soldados também e que isso acabou influenciando na forma como ele criou seus filhos: “somos frutos da nossa criação”.

Conserva boas lembranças das brincadeiras com a molecada na rua, de jogar futebol e de ser sempre um bom aluno com facilidade de fixar os ensinos recebido na escola. Ressalta ainda que naquela época de modo geral, havia tratamento diferenciado na relação de pais e filhos. Não havia o que vê hoje como filhos respondendo pai, fazendo birra, exigindo as coisas…

Algumas situações que ocorrem hoje se fosse naquela época pelo menos um dente ia pular fora porque o tapa era certeiro”, diz. Havia mais respeito entre as crianças com seus brinquedos, pediam bênção aos pais ao acordar, quando saiam ou chegavam, ao deitar…

Destaca que teve grande dificuldade de convivência com seu pai: “Conta a minha mãe que quando eu nasci, quando foi pra eu nascer, houve um desentendimento enter meu pai e minha mãe. Meu pai chegou a alegar que eu não era filho dele. E aquilo foi um grande constrangimento pra minha mãe.

Não se sabe os motivos que levaram o pai a pensar daquela maneira… Mas o certo é que antes dessa gestação, sempre foi um homem correto, não bebia nem fumava. Porém, com o pensamento de que aquela criança não era sua, passou a beber, fumar e jogar carteado. Algo que trazia desgosto pra sua mãe.

A senhora Oneide era devota de Nossa Senhora das Graças e mantinha um pequeno oratório dentro de casa, onde cultuava a imagem da santa e rezava pedindo para que seu companheiro visse que aquela criança era filho dele.

Assim, no dia do nascimento, houve um acontecimento lembrado pela família que é considerado inexplicável por alguns e visto como um milagre pela devota de Nossa Senhora das Graças.

A mãe conta que no ato do nascimento do menino Anselmo, só estavam na casa além dela, o pai, um tio e os irmãos mais velhos. As crianças pequenas foram para outra casa pois ainda se contavam que as crianças eram trazidas pela cegonha.

Quando o parteiro chegou, por volta das 20 horas, pegou a criança recém-nascida, embrulhou-a numa fralda e entregou nos braços do pai. Neste momento, as pessoas no recinto, ouviram uma criança falando papai três vezes. O pai, perplexo com aquela situação, soltou a criança que caiu na cama e da cama rolou para o chão.

Daquele momento em diante Anselmo não se lembra de ter sido pegado no colo uma vez sequer pelo seu pai… Não tiveram uma vivência muito próxima.

Mestre Anselmo é tomado pela emoção ao se lembrar que só sentiria um abraço de seu pai já adulto, quando residia em Cuiabá e trouxe o pai de Porto Velho para se tratar de uma situação de saúde difícil. Ao se despedir, sabendo pelo médico que poderia ter desencarnado, não fosse pelo filho, o pai finalmente o abraçou e o agradeceu pelo auxílio prestado.

Sobre sua chegada na UDV diz: “Antes de eu chegar na união eu tinha uma vida perdida, era uma pessoa completamente irresponsável”. Se casou com 18 anos de idade com sua companheira que tinha 16 e antes de chegar na União chegaram a se separar quatro vezes por conta de si mesmo e também por influência das famílias que interferiam muito na vivência do casal. Assim, com objetivo de melhorar de vida o casal, já com os dois filhos mais velhos Max e Michel, muda-se de Porto Velho para Jaru.

Mestre Anselmo afirma que houve uma grande mudança na sua vida ao comprar antes e depois que chegou na União. Os dois filhos mais novos Sabino e Anselmo nasceram quando ele era do Corpo do Conselho. Atualmente na condição de mestre na UDV, acredita que sua maior vitória é poder contribuir com o crescimento das pessoas com quem tem convivido ao longo do tempo. Disse ainda que ser mestre é aprender pra ensinar é servir.

Falando-se de família, nos contou como conheceu sua companheira, hoje a conselheira Vanny. Foi em um dia de trabalho em que fazia entrega em residências e se deparou com a menina Vanny. Ele tinha apenas 14 anos e diz que foi amor a primeira vista. “Quando bati o olho disse vou namorar essa menina”.

O problema é que essa menina era namorada de um conhecido dele porém… Acontece que naquela época ele era um dos poucos garotos que tinha alguma renda e possuía uma Garelli (pequena motocicleta de baixa cilindrada).“Quem tinha uma bicicleta já namorava todo mundo imagina essa lindeza aqui que tinha uma Garelli”.

Assim, utilizando-se de uma sagaz estratégia, começou a namorar uma menina próxima da Vanny e por um sopro do destino, houve um desencontro em um encontro marcado. Ocorreu que o namorado da Vanny e a namorada do Anselmo, não apareceram em um local onde casais se encontravam pra namorar e ele a convidou para passear de Garelli. Com esse subterfúgio, a inocente menina caiu nas garras do Anselmelvis Presley… quer dizer, começou a história de amor deste casal que se mantém unido e vivendo bem.

Perguntado sobre alguma história marcante na infância, diz que se recorda de um acontecimento, em um dia chuvoso em que estava febril, quando insistiu com sua para beber de um suco de Patuá (que é semelhante ao açaí porém mais gorduroso). Diz que apenas uma colher de sopa que sua mãe lhe deu, caiu doente e ficou bastante ruim. Chegou a delirar de febre e em um momento de delírio falou pra sua mãe: “Chegou na cidade um médico que cuida só de criança e ele vai me curar”. Naquela época não existia especialista na cidade mas ao perguntar pra uma pessoa da família, foi confirmado que havia um Pediatra que tinha chegado naquele dia na cidade.

Chamaram o médico e quando este entrou no quarto, o menino Anselmo confirmou à sua mãe que aquele era o médico que ele tinha visto. E assim aconteceu: o médico receitou um tratamento com um soro, restabelecendo sua saúde.

Se tem apelido? Quase todos em sua família o chamam de Leno porque seu nome era para ser Anselmo Leno Fernandes mas o pai quando foi registrar o nome colocou Linhares no lugar do Leno por algum motivo desconhecido. Contudo, devido à estatura smart ou minimalista, era chamado de bananinha na escola. Depois de “crescido” no ambiente de trabalho é chamado de Japa, China, Coreano, Senhor Miyagi e até Mestre dos Magos…

Uma criança, que já sabia algo sobre a vida desse personagem tão importante para história do Núcleo Caminho Firme, perguntou sobre o período em que ele viveu na condição de escravo em uma fazenda de exploração ilegal de madeira. Esse acontecimento se deu no Estado do Pará e é o que justifica o título desse relato.

Mestre Anselmo viveu uma verdadeira epopeia entre a esperança de dias melhores e a realidade da exploração da mão de obra escrava, passando pelo drama da fuga do cativeiro e chegando à glória de conquistar novamente uma das maiores riquezas do ser humano, a liberdade!

O relato deste acontecimento por meio da escrita, além de exaustivo poderia incorrer em erros de interpretação deste que vos fala. Assim, ouçam a narração contada pelo protagonista, no vídeo da entrevista.

Por fim, como mencionado no início, mostro porque mestre Anselmo também vem cantando sua história como neste trecho da “Saga de um Peregrino”.

“Ainda irei sorrir de alegria,

Quando tudo isso eu cruzar,

O sono perdido, o choro contido,

E quando as lágrimas enxugar,

Serei lembrado como nunca,

Pois das lutas serei uma sombra,

Para os que não sabem lutar…

Usei como arma a esperança,

Usei como bala a balança,

Que como justo estarei a pesar,

Não quero nada o que é teu,

O que busco é o que é meu,

Para não ter contas a pagar…

Para conhecer mais do trabalho literário de Anselmo Linhares Fernandes visite:

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?pag=3&id=75370&categoria=7

Entrevista Conselheira Érica Monteiro | Realizada pelo Núcleo Sabiá em outubro de 2015

17-10-2015 - Entrevista OE - C. Érica Monteiro (6)

 

Ela conserva o brilho e a forma dos olhos de criança! Entusiamo é  o nome… Quer bordar um lindo tecido , cheio de cor,de afeto,de gente grande e pequena ,de trabalho, de construção. Quer trazer o bem, quer tecer como em tear,artesanalmente confecionar,alinhavar para  entregar láááá no fim,  uma vida bonita, uma história consistente,um passo na evolução.

Assim percebemos nossa  historiografada  “estrangeira” (porque  pertence ao Núcleo Rei Divino em SP )   mas  tão da nossa tribo: gosta das águas frias,da natureza,dos dias intensos,da convivência,de gente,enfim… Tem força de vida! Foi convidada por nós e aceitou ser nossa ilustre entrevistada do mês de outubro,concluindo uma semana de boas atividades com crianças e jovens  aqui conosco.

Conselheira Érica Monteiro,54 anos de idade,carioca “erradicada” em São Paulo ,casada com C. Dagoberto há pelo menos uma boda prateada.Mãe de três filhos e recentemente introduzida ao mundo  caramelizado das avós. Frequenta o Núcleo Rei Divino em SP mas é filha do Núcleo Samaúma, também neste estado..Nos seus relatos, percebemos nela uma mulher de inteligência e sensibilidade,formada nos circuitos das Artes de onde sempre tirou seu sustento e também sua alegria. Tem amor e jeito com crianças e jovens.Já transitou desde muito nova por entre circunstâncias  diferentes e veio aportar,ainda adolescente,no porto seguro da União do Vegetal, onde se encontra há 37 anos.

O cenário foi cuidadosamente pensado,tecido por ela própria com muitas e interessantes fotos dispostas em cartolinas e monóculos.A seu lado um cesto com linhas e agulhas,também flores e um “banner “do pequeno príncipe .Ela entrou no salão em contexto de solenidade,ao som da música “Brincar de viver” ,entoada por Maria Betânia.As crianças fizeram muitas perguntas e relataram  mais à frente,que adoraram a entrevista.Quando abertas para jovens e adultos, as perguntas foram intensificando-se ,esmiuçando sua vida em todos os seus aspectos,entremeando músicas,abraços e muita emoção.Foi uma entrevista longa e por este motivo mesmo bem satisfatória.Pudemos conhecer esta caianinha de longa data,sedimentando nosso respeito pela pessoa ,por sua trajetória e por seu trabalho na União do Vegetal.

Esta entrevista teve uma prorrogação quando,em um segundo momento,a C.Érica ensinou pais e crianças a fazerem mandalas confeccionadas em linha,estendendo seus ditos e vividos através de sua própria arte.

Data da entrevista:10/2015

Local:Núcleo Sabiá – Uberlândia –MG

Entrevistada: C.Érica Monteiro Sacco –sócia no Núcleo Rei Divino

3ª região

 

PRIMEIRA HISTORIOGRAFIA N. TIUACO- C. Ivonete Marques

*sugiro que assistam o vídeo

DOCES ENSINOS

Por C. Geovana Bonazoni Cardoso

Núcleo Tiuaco, 2º região/ 15 de Agosto de 2015

M. Representante: Moacir Biondo

Colhedores: 19 crianças, de 03 a 11 anos

Jovens: de 12 a 18 anos, 11 jovens presentes

Equipe de Apoio: M. Ney, C. Rosangela, Patrícia Felipe, José Doades, Tânia, Ricardo, Luciano (In memória), Henríque, Sabrina, Úrsula, Diana.

Local: N. Tiuaco

Era uma bela tarde ensolarada, típica da cidade de Manaus. As crianças aguardavam ansiosas.

Os jovens conversavam entre si, trocavam ideias e se preparavam para fazerem as perguntas.

Nós nos organizávamos dando os retoques finais. Cenário ok, luz, câmera e a música escolhida, tudo ok

Aproxima-se a hora marcada. Reunimo-nos com os jovens e acomodamos as crianças.

Num clima de alegria, ali estávamos num cenário simples, com flores “buganviles” enfeitando as paredes, a cadeira para a entrevistada estava posta e uma mezinha cheia de fotos, lembranças…

A ideia era deixar o ambiente alegre e familiar.

E vinha ela caminhando ao som da música: “Abra a porta que eu cheguei, to chegando é pra ficar…” Vinha com um sorriso contagiante, digno de uma celebridade!

Aqui estamos com nossa amiga Ivonete Marques, pessoa de grande valor e que tem tanto a nos ensinar.

Damos inicio a entrevista;

As crianças não se intimidam, logo vão fazendo suas perguntas, e ela carinhosamente respondendo. Os jovens também se manifestam, porém, são mais objetivos.

Logo de inicio é perguntado o dia de seu nascimento (seis de julho de 1937) 78 anos!

 

Quando ela gosta da pergunta, faz questão de responder bem explicadinho. Este gesto aguça ainda mais o desejo de conhecer mais esta simpática senhora.

Quando perguntada qual era a coisa que mais gostava na época de infância, ela responde que era brincar. “A minha brincadeira preferida era pular corda” faz questão de explicar com se brinca de pula corda. E continua a falar de sua infância…

—Sou de uma família de muita gente, sabem quantos filhos minha mãe teve? Vinte dois filhos sendo que morreram dois e se criaram vinte! Eu sou a terceira, então eu tinha muitos companheiros para brincar em casa. Brincava também na rua porque naquele tempo não tinha esse transito com tantos carros, o meio de transporte principal era carroça puxada por burro ou jumento.

Lembra ainda que o jantar saia às cinco da tarde. “Então nós tínhamos de cinco e meia até às sete e meia para brincar na rua que não tinha perigo”.

Uma criança pergunta: Como era sua vida? Ela logo responde:

—Como era minha vida? Boa, “eu fui uma criança feliz, com pai, mãe e muitos irmãos”.

Fala do tempo de escola e de como era:

— Naquela época tínhamos que decorar a tabuada, porque a professora fazia uma sabatina. Se errasse a pergunta da professora, levava uma palmatória. “E tinha mais, a mãe ainda dizia se errar pode bater que é pra ela aprender”.

Uma infância sem “proteção” onde tinha a mãe como sua melhor amiga.

Aproveita o momento para aconselhar. E diz que amiga verdadeira mesmo da gente é a mãe. Porque tudo que ela fala mais tarde podemos confirmar. “Bem que minha mãe falou!”.

A família em fim, a mãe, o pai, os avós são nossos primeiros amigos, depois vem os outros.

E as perguntas continuam…

A senhora já fugiu de casa? Responde que não e explica:

—La em casa era o seguinte, deixa eu te dizer como era: Quando eu já estava com os meus 16 anos, que já gostava de ir pra festa, tinha um negocio que era pior que levar peia. Eu sempre achei pior que peia é levar um castigo. Então minha mãe dizia: “Você esta 30 dias sem poder ir para uma festa e nem para uma pracinha”, porque reunião era passear numa praça. “Não adianta mandar à amiga e nem a mãe da amiga vir me pedir, porque eu vou deixar e você vai dizer que não quer ir”, a situação era esta. Às vezes eu até tentava, pedia para minha amiga ir pedir para minha mãe. E ela respondia: “Ela pode ir eu não impato não, fica a vontade. E me perguntava: “Ivonete você quer sair”? Eu olhava pra minha mãe e respondia: “quero não”, porque eu já sabia como era o negócio.

Neste momento todos rimos…

Entre uma pergunta e outra, falou de como era namorar naquele tempo, conta que era na presença dos pais e no mais tardar até às nove e meia da noite. Contou que foi noiva aos quinze anos de idade. Rindo conta que ela não escolheu.

—O rapaz pediu aos meus pais e eles autorizaram, mas eu não gostava dele, eu, uma jovem e ele com seus trinta e cinco anos, mas aproveitei que ele fez uma viagem e escrevi uma carta e terminei o namoro.

Quando perguntada qual foi sua maior emoção? Responde carinhosamente que foi o nascimento de seus dois filhos.

Falando de política… Uma jovem pergunta se ela pegou a época da ditadura e se sim como foi?

—Foi bom, pra mim foi bom, eu já estava aqui no Amazonas nesta época e foi quando comecei a trabalhar, era funcionaria publica.

 

E a pergunta que não queria calar: Quando a senhora conheceu o mestre Gabriel?

Responde que foi em meados de 1969 e 1970.

Sobrinha do mestre Florêncio, que já conhecia o mestre Gabriel desde os seringais, e que foi a pessoa quem trouxe o vegetal para Manaus, ela conta que juntamente com seus pais, mestre Vicente Marques e conselheira Mariquinha, conheceram mestre Gabriel.

Bebeu o vegetal pela primeira vez em 1969. Bebia o vegetal nas sessões festivas, vindo se associar já nos anos 1990, quando inaugurou o núcleo que tem o nome de seu pai, Mestre Vicente Marques.

Entre tantas “perolas” ela nos conta mais…

É perguntada do que ela sentia falta, que tinha na União aquele tempo que hoje não tem. Responde dizendo que a União é a mesma de antigamente, os ensinos do mestre são os mesmos. O que mudou mesmo são os núcleos, conta que quando começou a União do vegetal em Manaus, bebia se o vegetal no sitio de seu tio Geraldo (o mestre Geraldo de Carvalho) e  neste sitio tinha uma fabrica com nome de Luminasa e beberam por um tempo naquele lugar, depois passaram a beber vegetal na casa de um deles, ou do mestre Florêncio, do Nonato ou de algum dos poucos irmãos que eram.

Até que chegou o dia que decidiram comprar um terreno e fizeram a primeira sede.

Precisava de um nome, pois até então não tinha. “Lembro meu pai dizendo: vai pro mariri hoje”? Eu já sabia que era dia de sessão. Depois chamavam de núcleo de Manaus. Até que um dia na sessão decidiram que tinha que arrumar um nome para o núcleo, o mestre Florêncio disse que já tinha o nome pra dar, seria Caupuri, e foi feita então uma votação, devia ter umas quinze pessoas nesta sessão e assim foi dado o nome do núcleo Caupuri.

Todos ficaram sabendo um tanto mais a respeito das historias de vida dela e também um pouco mais de como foi o inicio da União em Manaus já que fez parte de sua vida.

Foi um grande prazer fazer essa atividade com essa senhora, que demonstrou habilidade ao responder dando enfase, até mesmo a perguntas mais inocentes.

PRIMEIRA HISTORIOGRAFIA N. TIUACO- C. Ivonete Marques

 

obs: não saíram todas as crianças na foto, pois, saíram para brincar rsrs

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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